Diário de um cético

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006

Eu fico feliz quando chega o carnaval

A galera sofre o ano todo. A galera é burra. Eu sou burro. Aí quando chega o carnaval, tem gente que fala que não tem sentido, que é podre, que é pra massa, que o pessoal devia isso e devia fazer aquilo.

Bá blá blá. Não tá pulando por quê? Muito fora quando era pequeno?

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

Nosso governo é lindo. Ao invés de consertar o ensino, adota a solução tosca de criar quotas para estudantes da rede pública. Agora não teremos apenas um sistema fundamental falido, mas também um sistema de ensino superior falido e, como conseqüência, profissionais falidos. Nas universidades pagas, o problema não é diferente. Existe uma porrada de alunos inadimplentes, o que gera incapacidade da instituição de pagar bons professores. O resultado é um ensino tosco.

Tá na hora de alugar o Brasil, como diria Raul.

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

Sabem a namorada que era um vaso? Bom, não é mais... minha namorada. Ela continua um vaso. Conversei com ela, pedi para ela repensar a idéia de não pensar, mas ela não repensou e, portanto, não pensou. Eu não posso ficar com alguém que não se preocupa com o próprio bem-estar e crescimento.

Não que eu seja muito inteligente. Sou até burrinho. Mas tudo tem limite.

Domingo, Fevereiro 12, 2006

Creio que o domingo foi a pior invenção da humanidade. O problema não é o domingo em si, mas o fato de ele ser imediatamente antes da segunda-feira. Todos sabem o que acontece segunda-feira. Isso, acontece aquela coisa inominável. A arte ridícula de se emprestar aos outros em troca de pouco e sorrir uma fingida boa vontade.

Sorte de quem empresta-se a si mesmo. Um dia vou cobrar com juros, os outros.

Sábado, Fevereiro 11, 2006

Viagem longa de ônibus. Algumas pessoas fazem sinal da cruz. Outras rezam baixinho. Um terceiro grupo pede proteção a Deus silenciosamente. Eu não tenho esse amparo contra ansiedade. Nem tenho tempo para gastar com esses pedidos. Eu só me sentiria melhor se soubesse que o motorista foi bem treinado, que o ônibus está funcionando bem, que a estrada foi melhorada, que as pessoas têm educação no trânsito e assim por diante.

A minha segurança e bem-estar depende de pessoas mais do que qualquer coisa. Quero ajudar para me sentir seguro.

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006

Hoje, mais cedo, revi uma pessoa que não via há tempos. Revi-a no palco, ela é dançarina e atriz. Um papel pequeno ainda. Enquanto ela dançava, eu entendia a beleza dos seus movimentos. Não queria entender, porém, queria apenas admirar. Ao fim da peça, os comentários eram generosos quanto à performance da minha amiga. Eram consenso, sua graça e habilidade. Para mim, tratava-se da minha amiga. Por algum motivo, as roupas e movimentos não a fizeram diferente para mim.

A todo momento eu a via como sempre, estirada no sofá falando sobre nada. Amo o modo especial como ela bebe qualquer coisa... devagar, bem devagar. Esta é minha amiga.

Depois de cruzar São Paulo de ônibus e de carro e fazer uma avaliação de qual das duas maneiras vale mais a pena, concluí que o melhor é não morar em São Paulo. Não foi difícil chegar a esta conclusão. Infelizmente, não posso me mudar ainda.

Estou exagerando um pouco, eu gosto da cidade. Se ela se resumisse a Av. Paulista eu não iria embora nunca.

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

As aulas recomeçarão em breve. Vou fazer cara de interesse, olhar para o quadro, balançar a cabeça para cima e para baixo e utilizar todo o repertório padrão de um bom estudante. Estarei ao mesmo tempo pensando em maneiras criativas de fugir do tédio. Os professores são os arautos da falta de tato.

Professores têm como dever ensinar. Os meus eu não pagaria, assim como não pagaria um construtor que não constrói.

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006

Mães e pais abandonando, espancando, maltratando seus filhos. Estes são atos menos bizarros do que aparentam à primeira vista. São, sim, absolutamente condenáveis, crimes inacreditáveis e etc. Não tão bizarros, ainda assim. As pessoas são o que o mundo lhes faz mais do que o que fazem ao mundo.

Sei o quanto sou tudo em potencial.

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Minha namorada é um vaso, um recipiente, e sou jovem demais para ser um depositante. Antes de procurar uma mulher, vou ser obrigado a terminar com essa menina parada na pista.

A mulher tem que me desafiar e então chegarmos a um acordo.